Eu, que quero ser Presidente da Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge, não posso e não quero dar o primeiro passo da caminhada, sem erguer o meu pensamento até à memória do Presidente que partiu, estando em pleno exercício do mandato que o povo de Caldas de S. Jorge lhe tinha confiado.
Convido a assistência a, juntamente comigo, guardar um minuto de silêncio em memória do Senhor FERNANDO COELHO.
Quero aqui anunciar e com a solenidade possível, que o primeiro acto depois da minha tomada de posse como Presidente da Junta, se o vier a ser como espero, será o de fixar a sua memória num quadro fotografia que será suspenso no mais nobre ponto desta casa.
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Nota prévia: Durante toda a minha próxima intervenção sempre falarei na primeira pessoa. Não se trata de tendência para o egocentrismo, mas simplesmente porque, não tendo ainda a equipa constituída, tenho que, por ora, assumir sozinha.
Conterrâneas e Conterrâneos,
Senhor Alcides Branco, candidato PS a Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira,
Amigos de fora desta Vila, a vós, aquele abraço!
Ponderei, pedi sugestões, aconselhei-me, aquilatei das dificuldades e decidi. SEREI CANDIDATA a Presidente da Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge. Este é o ANÚNCIO OFICIAL.
A partir das primeiras abordagens, desenvolveram-se-me interiormente algumas resistências. Serei demasiado nova para tais andanças? Será o trabalho de um Presidente de Junta de uma Freguesia pequena como a nossa assim tão complexo e absorvente? Será muito difícil pegar nos dossiers correntes para quem não tenha experiência executiva?
As horas mais positivas foram dando as respostas que se impunham e empurraram a decisão. A Juventude não poderá ser uma grande vantagem em acrescento de garra e de desejo de fazer bem e sobretudo melhor do que o que se tem visto? Outros ainda mais novos assumiram responsabilidades bem maiores. Nem o trabalho é tão complexo, nem irei estar sozinha. Procurarei convidar para a proximidade quem, como eu, esteja disposto e disponível para os mesmos objectivos. Se outros, também sem experiência, eventualmente com menor back ground académico e cultural os tomaram, porque não eu? E, como se diz, para tudo na vida há sempre uma primeira vez e também a haverá para a gestão autárquica. É até a primeira vez que uma mulher se assume disponível para ser Presidente de Junta em Caldas de S. Jorge.
Como é que se pode ser útil à Freguesia e às suas pessoas?
(1) Logo, olhando primeiro para as pessoas, procurando saber do que precisarão e imaginando caminhos para encontrar respostas. Caldas de S. Jorge necessita que a sua Junta esteja mais próxima dos problemas reais da população. As pessoas esperam por grandes projectos, grandes obras. Mas antes de tudo, esperam que lhes resolvam o problema que têm à porta de casa, ou até mesmo dentro de casa. Não podemos direccionar toda a nossa atenção para apostas e prioridades em algumas áreas quando a vertente social é negligenciada, quando faltam os equipamentos sociais, quando faltam os serviços básicos para uma qualidade de vida digna.
A Junta de Freguesia é o poder mais próximo das pessoas e por isso tem de conhecer, melhor do que qualquer outro organismo, os cidadãos, as famílias e as dificuldades e aspirações das mesmas. A Junta de Freguesia tem o dever, especialmente neste tempo de crise que atravessamos, de identificar e apresentar soluções para os problemas sociais da população.
Antes de pensar em obras, procurar saber se há na terra situações muito degradantes, localizá-las e procurar meios de melhorar. Abrir frentes de contacto permanente com a Segurança Social, com os Serviços Sociais da Câmara e clamar por apoio. Com os meios de que a Junta dispuser, criar e instalar na Junta serviços de informação, usando essa incomparável ferramenta que é a Internet. A médio prazo criar bases de dados identificando idosos, por escala de idades, crianças por grupos etários, beneficiários do RSI, utentes de habitação social, etc. Procurar programas de apoio social que possam ser implementados na Junta de Freguesia e procurar criar protocolos com entidades sociais que possam apoiar os nossos cidadãos.
(2) Tomar os dossiers encravados e tentar apaziguar as partes. Falar, e chegar a acordo, com o Sr. Dr. Raul Ferreira da Silva para se poder, em paz, acabar a obra do Calvário. Obra que, não me custa dizer, tem visibilidade e é do agrado popular, embora haja quem defenda que, com o volume de investimento feito, se poderia ter investido em obra mais útil. Sobre este assunto, posso referir que colhi uma informação muito recente segundo a qual terá sido marcada uma audiência/julgamento para meados de Agosto, constando-se, entretanto, que a maior parte dos convocados não comparecerá devido a compromissos assumidos e intransferíveis. Acontecerá, supõe-se, adiamento. Por outro lado, um documento feito público nos blogues e na imprensa e assinado pelo proprietário do terreno invadido, indicia incompatibilidades latentes e dificuldades de chegada ao acordo que tem sido alardeado bastas vezes pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia. Como lamento esta dificuldade de aproximação das partes em litígio e quanto espero que o povo de Caldas de S. Jorge me venha a dar a oportunidade de, eu própria, ser a mediadora no processo.
b) Reatar as conversações com o proprietário do terreno na Rua da Carreira para se dar fim a trabalho que desfeia e desprestigia. Do mesmo modo, falar com os donos da mina e resolver como e onde se coloca o óculo de acesso.
c) Chegar a uma conclusão definitiva sobre o acesso, ou não, em Casaldoído a partir do portão da quinta do “Bento”.
(3) O diagnóstico das necessidades da Vila está feito e, claro, não deixarei de as ter na minha agenda sempre aberta:
O CENTRO ESCOLAR que é mais prioritário do que se invoca, até porque a CARTA EDUCATIVA determina prazo e ele vai caminhando para o termo. Promoverei um estudo tão profundo quando possível contando com personalidades de cá, para ser apresentado à Câmara e se darem passos seguros no processo.
A construção de um Edifício Sede para a Junta que agregue espaços destinados a Associações, deixando a actual Sede totalmente disponível para a Unidade de Saúde que se espera seja mantida em funcionamento agregada a uma USF ou noutra modalidade a definir pelos Serviços responsáveis.
Procurarei uma solução para a Casa e Terreno da PINES e defenderei que este espaço seja reservado para actividades ligadas ao turismo e hotelaria.
Acompanharei e apoiarei, no que for possível, o bom e rápido desenvolvimento do Projecto ILHA para que, tão rápido quanto possível regresse a animação àquele espaço.
Colaborarei de forma determinada, com a Fundação da Fábrica da Igreja, para o bom e rápido andamento do processo da construção de um Lar da Terceira Idade.
Retomarei e insistirei junto da Câmara e Sociedade de Turismo para que a Junta de Freguesia venha a ser parte accionista na Sociedade de Turismo. Não para gerir, não para “criar problemas” mas só para SER PARTE.
Darei continuidade, a partir do pé em que estiver (ninguém sabe qual a real situação), ao processo da Via Pedonal. Depois de ficar totalmente inteirada dos projectos que, por certo existirão na Junta ou na Câmara, ouvirei os proprietários ainda não contactados e tentarei demover os já abordados, mas renitentes na chegada a um acordo.
Tentarei fazer inventário dos Moinhos de Água existentes nas margens do Uíma e em território de Caldas de S. Jorge. Averiguarei da operacionalidade dos que estiverem em melhores condições e apresentarei na Câmara uma candidatura à compra e recuperação de algumas unidades. Isto em consonância com a Via Pedonal. Em simultâneo apresentarei projecto e candidatura para uma limpeza das margens do Rio e, em certos locais, do leito. Estabelecerei os contactos necessários para um próximo futuro repovoamento da fauna trutífera.
Introduzo aqui talvez uma provocação para alguns, mas sobretudo um desafio ao futuro Presidente da Câmara, quemquer que ele seja. Caldas de S. Jorge é o Centro geodésico do Concelho de Santa Maria da Feira.
Todos reconhecem que nesta Vila não se fez, nos últimos mandatos, nenhum investimento de alegrar os olhos, pelo que lanço o desafio da construção de uma POUSADA DA JUVENTUDE em Caldas de S. Jorge, ou o ainda maior, de transferirem para cá a construção da Escola de Hotelaria, Turismo e Termalismo.
Serão, naturalmente, apoiadas as Associações Recreativas, Culturais e Desportivas com a tão habitual como pequena contribuição pecuniária, mas serão seguramente patrocinadas Iniciativas de índole cultural e desportiva que sejam propostas: Futebol e Atletismo, Ranchos Folclóricos e Associações Recreativas e Culturais que fazem da dança popular a sua actividade base, Escuteiros, Associações de Pais, e uma palavra de especial simpatia para a Juventude Inquieta, pelo dinamismo sempre demonstrado e força criativa. Pena não ter uma Sede onde possa criar e desenvolver iniciativas.
Mas para onde virarei verdadeiramente o meu esforço e a minha determinação será para a necessidade de informar toda a Comunidade em geral e a Assembleia de Freguesia muito particularmente de TUDO O QUE OCORRER na Freguesia: projectos, propostas, iniciativas e SOBRETUDO informação detalhada até ao Euro de toda a movimentação de dinheiros na Junta de Freguesia, sejam os subsídios oficiais, sejam donativos extraordinários, públicos ou privados e sejam entregues em numerário ou em materiais ou prestação de serviços. Tudo haverá de ficar registado para que conste e para que todos saibam tudo de tudo.
Sei que as pessoas sentem que o poder já não está ao serviço da população. Vivemos um clima de suspeição e desconfiança numa junta que não respeita os princípios essenciais da democracia. Infelizmente, em Caldas de S. Jorge, a participação democrática é cada vez menos valorizada e aceite por aqueles que nos governam. E isso fica evidente nas assembleias de freguesia vazias de informação, onde as perguntas se repetem e as respostas não chegam.
É preciso que os caldenses voltem às Assembleias de Freguesia, que sejam chamados a contribuir para o bem geral e que sintam que são protagonistas na discussão sobre a causa pública. É preciso que o poder seja centrado na população, nas suas necessidades e na resolução dos seus problemas. Quero que os caldenses voltem a acreditar e a confiar no poder local.
Não será tolerável, em nenhuma circunstância, ser a Junta questionada pela Assembleia de Freguesia sobre qualquer tema, nomeadamente sobre CONTAS, origem e destino de dinheiros, e não ser dada resposta. Nunca hei-de ser acusada dessa falha. Utilizarei até ao limite a Página Oficial da Junta de Freguesia para ter as pessoas informadas. Hei-de chegar a lá publicar as Contas e até as Actas. A minha experiência como eleita na Assembleia de Freguesia só me deu frustração por nunca ouvir respostas às questões que eu própria, em nome do meu grupo, fazia.
Não quero encerrar esta minha apresentação perante as pessoas de Caldas de S. Jorge sem deixar claro e de forma que não suscite dúvidas de que serei absolutamente leal, o que pode não significar concordância, com a Câmara que o povo escolher, qualquer que seja a sua cor política. E é dentro do mesmo espírito que aplaudirei com ambas as mãos, e agradecerei mesmo, toda a obra que, de agora até às eleições, seja trazida para Caldas de S. Jorge, mesmo que haja o direito e a tentação de lhe chamar jogada eleitoralista.
Em traços ainda que não largos é esta a ideia que tenho da e para a minha terra.
EU…. PRECISAREI DE TODOS. ESTAREI SEMPRE DISPONÍVEL PARA TODOS QUANTOS PRECISEM DE MIM.
Bem hajam por terem vindo, bem hajam pela paciência que vos requeri e bem hajam pelo apoio que estiverem dispostos a dar-me. Porque, claro, EU QUERO SER PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE CALDAS DE S. JORGE.